Perguntas Difíceis – Disto e Daquilo – Crónica de Paulo Taful


• De onde vimos?
• Quem somos?
• Para onde vamos?

Perguntas que todos fazemos, pelo menos meia dúzia de vezes ao longo da vida.
Sim, caros leitores, é um tema sem resposta, ou pelo menos será de difícil resposta para a última pergunta: Para onde vamos?


Prefiro ficar pela primeira pergunta e acrescentar alguma coisa à segunda.
Todos sabemos de onde vimos!
Todos temos passado, todos tivemos infância, todos tivemos pais, avós e, por conseguinte, todos temos lembranças dos tempos de infância.
São essas as lembranças que mais podem marcar o ser humano.
São essas as lembranças que nunca mais nos vão largar e, provavelmente nunca iremos esquecer.
É também a memória da infância altamente determinante da nossa própria personalidade e, portanto na nossa forma de ser, agir e pensar quando chegamos à idade adulta.
Todos nos lembramos da forma como o pai falava, ou como a mãe nos aconchegava os cobertores antes de adormecermos. Todos nos lembramos dos nossos avós, das histórias para dormirmos a sesta, ou dos episódios familiares que ouvíamos em dias de almoço de família.
Vou contar-vos como a minha avó materna (que faz hoje – 18 de março – 113 anos que nasceu), figura incontrolável no meu processo de educação, aguçava a minha curiosidade com todos os que estavam antes de mim (gerações familiares anteriores).
Na casa de costura, divisão de grande diversão para a senhora minha avó, pois a costura era um dos seus passatempos, havia uma enorme arca preta com pregos dourados. Lá dentro guardava álbuns de fotografias, “caixas de bugigangas”, recordações de tantas coisas, livros antigos, vestidos que marcaram a vida familiar… enfim… tanta coisa que eu, ávido de saber tudo, me extasiava quando a tampa da arca se abria.
Contudo, as fotografias sempre tiveram um fascínio especial em mim.
Claro que já conhecia de cor a fotografia da bisavó Conceição Duarte, dos primos de Mafra, da prima Branca que tocava piano mas não gostava de falar francês, do primo Canas que era padre em Lisboa, dos congressos eucarísticos de 1930, na mocidade da avó, a fotografia do avô com as filhas e o cão da família, o piloto e o pato que morreu de velho por ser muito inteligente.
Também ouvi vezes sem conta as histórias do bisavô Domingos e o seu grande amor às artes, em especial à música. Sabia de cor todas as datas importantes da família… enfim, foi-me dado conhecer de onde vinha, o que me antecedeu e o respeito que devia nutrir por quem estava para trás.

Quem somos?
Bem… talvez seja difícil responder, mas eu sei que os exemplos que me foram dados conhecer foram suficientes para me ajudar a fazer de mim o que sou hoje.
É que… o passado tem grande influência no presente e, acredito, ajuda a construir o futuro… a tal pergunta de resposta difícil:
Para onde iremos?!?

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Até breve,
Paulo Taful

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