Uma coisa que ninguém vai ler – Libertem o clima, não escrevam cartazes parvos – Crónica de Nuno Pontes

Olá, excelsos caríssimos e caríssimos excelsos. Aproveitaram o fim-de-semana? Óptimo. Ora, o que me traz aqui é um evento que sucedeu na passada Sexta. Consta que milhares de estudantes por este país fora fizeram greve, mas não foi uma greve qualquer. Os jovens baldaram-se às aulas, efectivamente, mas para alertar que é preciso combater as alterações climáticas. Uma causa nobre, no fundo, porque isto do aquecimento global é uma coisa chata que existe, ao contrário do que afirmam os Quintelas desta vida.

Apreciei a iniciativa, é sempre necessário termos consciência destas coisas, mas houve momentos que me deixaram bastante confuso. Segundo consta, a certa altura, jovens começaram a entoar “Grândola Vila Morena”, primeiro porque está escrito no livro de regras das manifestações que é obrigatório cantar o tema do Zeca em tudo quanto é manif; além disso, toda a gente sabe que é necessário libertar o clima de um qualquer jugo ditatorial que agora não me ocorre. Os simpáticos e inocentes adolescentes, ao entoar a Grândola, mostraram querer fazer uma espécie de 25 de Abril a 15 de Março.

Na verdade, sou da opinião que o aquecimento global é necessário. Nós precisamos do aquecimento global. É prejudicial para nós? É. A Terra sofre muito com isso? Sofre. No entanto, o aquecimento global expõe seres humanos cujos neurónios não são mais do que pequenas poias perdidas num mar de nhanha. O intelecto destes esparregados de muco perdeu a vontade de existir. Obrigado, aquecimento global, por seres um mal necessário. Estes coisos podiam ser vítimas de aquecimento global. Ou aquecimento global, ou capitalismo, que agora parece que se morre muito de capitalismo.

Segundo um cartaz da manifestação levada a cabo na passada Sexta por estudantes preocupados com o futuro, “o capitalismo mata”. O capitalismo mata, e toda a gente sabe que se trata de uma doença que mata muito. É o cancro, a SIDA e o capitalismo. O capitalismo mata, mas também o Avatar do James Cameron levou a que um senhor tivesse um ataque cardíaco numa sala de cinema e falecesse. Quer isto dizer que Avatar mata?

Cada vez estou mais certo que os velhinhos do cartaz daquela moça da manifestação contra a eutanásia morrem de capitalismo. É urgente encontrar uma cura para este flagelo. Também dava jeito encontrar uma cura para a falta de noção, porque se o capitalismo mata, a falta de noção mói.

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Até para a semana, suas bolas de Berlim com creme.

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