Santuário do Bom Jesus de Braga inscrito como património mundial da UNESCO

O conjunto composto pelo Palácio, Basílica, Convento, Jardim do Cerco e Tapada de Mafra, o Santuário do Bom Jesus do Monte, em Braga e o Museu Nacional Machado de Castro, em Coimbra, receberam este domingo a inscrição no Património Cultural Mundial da UNESCO, na reunião do comité da organização, a decorrer em Baku, no Azerbaijão, anunciou a organização. 


Santuário do Bom Jesus do Monte, em Braga

Situado em Braga, na freguesia de Tenões (Santa Eulália), no Noroeste de Portugal, o santuário do Bom Jesus do Monte assenta sobre a encosta do Monte Espinho sobranceiro ao vale do rio Este, afluente do Ave. Orientado a poente, o santuário tem extensas vistas que abarcam toda a cidade de Braga, a Bracara Augusta fundada no tempo dos romanos do qual é historicamente indissociável, e uma parte do vale do Cávado, podendo mesmo avistar-se o mar.

O santuário é um conjunto arquitetónico e paisagístico reconstruído e ampliado ao longo de mais de 600 anos, definido, fundamentalmente, por um longo e complexo percurso de via-sacra que se estende pela encosta acima, conduzindo o peregrino por entre capelas que abrigam conjuntos escultóricos evocativos da paixão de Cristo, fontes, estatuária e jardins formais.

O percurso sagrado organiza-se em duas secções distintas. A primeira, respeitante aos momentos anteriores à morte de Cristo, materializa-se a partir de um pórtico num percurso em zig-zag com capelas e em dois monumentais escadórios – o dos Sentidos e o das Virtudes – rematando na igreja, também chamada de capela maior, que acolhe o momento evocativo do passo do Calvário; a segunda, alusiva à vida gloriosa de Cristo ressuscitado, inicia-se na igreja e culmina no Terreiro dos Evangelistas, com a capela da ascensão de Cristo.

O bem proposto corresponde ao Santuário propriamente dito – conjunto constituído pelo pórtico, caminhos, terreiros, capelas, fontes, monumental escadório encimado pela igreja – e à sua Cerca densamente arborizada, um parque pitoresco de lagos de formas naturalizadas, grutas artificiais, edifícios e estruturas de natureza e funções variadas. Santuário e Cerca são indissociáveis – o monte foi-se moldando para acolher o Santuário, completando-se mutuamente, resultando num conjunto uno, de elevado valor paisagístico e arquitetónico que configura um monte sacro. A área total é de aproximadamente 30 ha e, embora a propriedade pertença à Confraria do Bom Jesus do Monte, é de acesso público.

O conjunto arquitetónico e paisagístico do Santuário do Bom Jesus do Monte é parte integrante de um projeto europeu de criação de montes sacros, impulsionados pelo Concílio de Trento, configurando um sacromonte que testemunha vários tempos da história da cidade e da arquidiocese de Braga, atingindo uma complexidade formal e simbólica única, uma dimensão sem precedentes no contexto dos montes-sacros europeus, um caráter barroco e uma narrativa religiosa de grande aparato, próprios da Contra-Reforma.

É uma obra-prima resultante do génio criador, um monumental escadório onde se manifestam modelos de conceção e as preferências estéticas de cada tempo de construção que se consumam numa peça de grande unidade e harmonia – o monte e o escadório confundem-se – organizada em duas secções: (1) os momentos anteriores à morte de Jesus Cristo, terminando na igreja, cenário da ressurreição de Cristo, e (2) a vida gloriosa de Cristo ressuscitado que culmina no Terreiro dos Evangelistas, afinal os autores de toda a narrativa inscrita ao longo do escadório.

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O Santuário do Bom Jesus do Monte é uma expressão única da articulação do material e do intangível da dimensão sagrada da vida humana e uma manifestação completa e complexa do génio construtivo humano. 

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