Romance da Viola Amarantina | Património Local

Romance da Viola Amarantina | Património Local


Todos os instrumentos em Portugal têm a sua história, a sua lenda que os caracteriza uns dos outros, mas o que me chama atenção neste artigo de hoje é a verdadeira história de amor que ficou gravado para sempre na viola Amarantina.
Um grande senhor de Gestaçô, hoje freguesia de Vila Chão do Marão, concelho de Amarante, pretendeu impor um casamento ao seu filho com a filha do estalajadeiro dono de uma grande propriedade em Ovelha do Marão, atualmente freguesia de Aboadela.
Ao ver que o casamento estava a ser imposto por motivos materiais, o filho do senhor de Gestaçô impôs-se há vontade de seu pai alegando que mal conhecia a senhora e que não sentia amor pela mesma.
O pai retorquiu que primeiro o casamento e depois viria o amor, pelo que o filho contrariou seu pai dizendo “Amar ante casar”.
O filho do senhor de Gestaçô levou de vencida os ideais do progenitor
O jovem fidalgo depois de ver vencido o seu pai, desenhou numa folha de papel dois corações com a legenda “Unidos para Sempre” e pediu a um criado que fosse entregar a mulher que amava.
Como o papel era um material de pouca dura, o jovem fidalgo mandou talhar na sua viola os dois corações pois só assim ficava gravado o amor que nutria pela sua amada aquando da ausência da mesma.
Os jovens daquele tempo faziam-se acompanhar sempre da sua viola de dez cordas, dois corações ao meio, dez cravelhas e um furo, furo esse que as suas amadas enfeitavam com um cravo ou uma outra flor, identificando assim o jovem tocador como um moço comprometido.
A colocação da flor na viola dos amados era também um modo de agradecimento da rapariga cortejada ao seu amado.
Viola Amarantina esteve quase em vias de extinção não fosse o docente Eduardo Costa e o marceneiro António Silva que lutaram contra o fim de uma tradição. Enquanto o docente ensina, o marceneiro fabricou várias violas Amarantinas de forma artesanal ao longo dos anos.
Com uma viola Amarantina se faz “sonoridade apaixonante”.


Carvalho Araújo

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